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TODO O ANO... UM NOVO ANO
Lony Rosa
“CARTA PARA 2010”
 Welinton dos Santos

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Tribuna

23/12/2009

TODO O ANO... UM NOVO ANO
Lony Rosa
Estava com dificuldade para escrever aquelas frases já tão conhecidas de fins de ano: as que renovam as esperanças, relevam o que passou de ruim, reiteram que o melhor está por vir, constatam algum pouco que sobra de indignação com as injustiças, mas ainda assim nos levam adiante, “caminhando e cantando”, mas nem sempre seguindo a canção. Parei e me perguntei se tudo isso já não estava batido, fora de moda, e se essa coisa de novo ano não é mesmo tudo igual, quando as taças brindam nossas incertezas futuras, nossos riscos vindouros e, ao amanhecer do ano que nasce, ficamos como as marés, numa ressaca que carrega nossos pedaços, talismãs, perfumes e rosas, de volta aos nossos pés. Mas aí, no meio dessa onda toda de realismo – como diria Saramago, ao afirmar que não é pessimista – descobri que o novo ano é todo o ano. Não existe calendário que nos obrigue a começar de novo apenas aos janeiros. A cada dia estamos aí, provando o sabor da existência, da persistência e da “fé na vida”, ao melhor estilo romântico a Roberto Carlos, ou nem tão explicitamente. Basta acordarmos e o mundo nos abraça, mostra que ainda temos muito ar que respirar. A cada sorriso de criança que esbarra em mim, mesmo em abril, junho ou setembro, acredito que começa um novo ano. Quando tenho prazer em tratar com afeto e gentileza as pessoas que me rodeiam e merecem esse carinho, dou espaço para um novo ano, mesmo em maio, julho ou outubro. Não sei mais marcar data para comemorar ou celebrar, e muitos podem até estranhar. O papai-noel não virá a minha porta, trazer-me um presente caro, desses vendidos em lojas, a impunidade continuará correndo solta pelo meu país, as crianças ainda despencarão dos edifícios, à sombra da negligência de seus familiares, que nem ouso chamar de pais, a violência não será extinta, nem viveremos no paraíso desejado, mas assim mesmo, continuarei “caminhando e cantando”, mas não seguindo a canção. Ainda que a reunião em Copenhage – o COP15 – tenha sido apenas mais um encontro para tomar café, sem perspectivas reais de atitudes políticas, mas apenas a consignação de que o mundo está acabando mesmo, e que as futuras gerações terão que brigar pelo seu metro quadrado de grama e água, vou continuar cantando a liberdade, o respeito e o amor. Vou continuar colorindo os lugares por onde eu passar, e deixando a aquarela para quem ainda acreditar e também quiser colorir essa triste paisagem que o mundo estampa. Desejo que meus amigos possam também me acompanhar, ou quem sabe testemunhar esse caminho paralelo, esse vôo rebelde e livre, sem data marcada em qualquer calendário. Prefiro mesmo que os anos comecem em fevereiro, agosto ou novembro, sem importar o dia, a hora, os segundos, sem prever se fará sol, chuva, ou se nuvens passarão e cuidarão dos meus passos de artista que ainda sonha.
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